Senhor(a) Leitor(a), estou sem trabalho! Não, eu não vim aqui “ por meio desta” para pedir emprego, quero apenas dividir uma reflexão que me reside de uns tempos pra cá, pra tentar entender o que acontece com os gestores de cultura da nossa cidade, depois que resolveram personalizar suas ações nas ditas fundações de “fomento” à cultura. Agora é moda não repetir os elencos dos grandes espetáculos que ocorrem na nossa cidade, principalmente no final de ano, com a justificativa de dar vez aos mais novos. Já pensou se tudo funcionasse assim nos setores ditos sérios da nossa sociedade? –“…a partir de hoje tá todo mundo demitido na fábrica de medicamentos, pois resolvemos renovar pra dar lugar aos desempregados.” Aí, alguém perguntaria: - Mas, essas pessoas têm pouca experiência, como vai ser com o controle de qualidade dos produtos? – Bem, no princípio vão ocorrer algumas mortes, mas com o tempo tudo volta à normalidade. Como no Teatro as mortes são de mentirinha, então eu penso que pra esses senhores não faz muita diferença se a qualidade do espetáculo cair, desde que aja um efeito de luz ou de fumaça que o camufle. Aliás, por que só os atores é que têm que entrar nesse sistema de rodízio? Porque “os donos” do som, da luz,estrutura de palco,cenografia, produção e suas empresas já bem polpudinhas, são sempre os mesmos depois de tanto tempo? O que justifica a repetição de nomes de artistas nacionais, anos a fio com cachês que humilham os artistas locais, que calam pra não ficar em “maus lençóis” com as autoridades e os chefes da cultura? Existiu um camarada por essas paragens que um dia atirou: Natal não consagra nem desconsagra ninguém! A cidade não quer ter tradição.
Dá as costas pros seus mais caros defensores. Será que não vê aí uma reclamação do mestre Cascudo? Me nego a suceder Cornélio Campina, Manoel Marinheiro e Chico Daniel no que se refere ao descaso do poder , investido por Vossas Senhorias, para com sua arte e sua luta, sua história…NOSSA HISTÓRIA!!! Não posso afirmar que exista patrulhamento, mas quero entender do que se trata. Alguém aí das fundações pode me explicar? Enquanto num espetáculo com mais de cem técnicos, que aluga som, palco, luz, ônibus, comida, hospedagem de boa qualidade para todos, andando várias cidades do interior e com mais de quinze apresentações, consome algo em torno de quinhentos mil reais, outro com apenas quatro apresentações, sem sair da capital, este ano deverá consumir mais de Hum milhão de reais? Alguém daí já parou pra pensar que a elaboração e desenvolvimento desses projetos ao longo do tempo, servem para alguma coisa e não podem simplesmente serem jogados no lixo? E que pessoas não são descartáveis? Que não se faz renovação sem um planejamento?
sem que o único critério para que ela ocorra seja uma simples antipatia ou o não “enquadramento” nos “novos” ditames, sem questionamentos, discussões, etc. Ao meu ver isso tem nome e não é nem inteligência nem muito menos revolução.Por que, a título de renovação, mudam-se os fiéis e permanecem os padres? Por que um espetáculo que já tornou-se tradição no calendário natalino; que criou emprego pra milhares de pessoas ao longo dos anos; que renovou seu elenco de atores, bailarinos, técnicos; que revelou outros tantos; que priorizou os artistas ligados a grupos, como forma de estimular o fazer coletivo; que deu oportunidades a vários autores e revelou outros, com textos, autores e propostas cênicas novas a cada ano, foi relegado ao limbo pelo poder público, com o argumento da “renovação” e, agora aparece rebatizado e travestido com novos e competentes artistas , mas com velhos cacoetes e nomes com duvidosa capacidade de aglutinação, bem como a apresentação de velhos textos de autores consagrados, mas que , ao meu ver pouco acrescentarão à dita renovação? Se se programa uma renovação, então que ela seja planejada, discutida, avaliada e, que todas as partes sejam renovadas, não só os atores. A propósito, os senhores diretores desses órgãos, quando forem ver “suas obras”, contratem um fotógrafo profissional para registrar o acontecido, ao invés de ocupar a primeira fila e, depois de ligar o flash da sua digital de “trocentos” mega-pixels, esquecer que os outros presentes estão ali pra ver um espetáculo de arte e não de gafes absurdas e narcisismo sem limites, pois, renovar atitudes em relação ao trabalho dos outros, também se faz necessário.
Como já dizia o ditado costume de casa não vai “ao Teatro”(pelo menos na platéia). Aí virão outros e perguntarão: “- Mas porque ele, só agora que está excluído, é que resolveu falar? Porque não falou anos atrás, quando também existiam distorções nas feituras desses espetáculos?” Bom, respondo eu: sou profissional; tenho ética; sempre encontrei espaço para questionar, e nunca me calei quando via algo errado, chegando a criar antipatias com essa postura; tenho responsabilidades e compromissos e (infelizmente pra vossas senhorias) preciso ganhar dinheiro com o meu trabalho. Bem, antes de mais nada esse não é um espaço para desabafos pessoais, mas achei que, em se tratando de eventos públicos, ou que se pregam dessa forma , mereceriam, ao menos uma leitura , quiçá um comentário ou mesmo sua publicação.
p.s.: o presente texto foi escrito assim mesmo, com parágrafo único, pois teve que ser vomitado para não estourar a minha úlcera de estimação. Feliz Natal e… SOCORRO PROFESSORA!!!
PEQOSousa.
(Ator, Palhaço(por opção), Músico e Arte-educador, Cidadão e Pai
e Bom Pagador(pelo menos até hoje) .
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